TEATRO DAS CONFERÊNCIAS

ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Comissão Organizadora D -
Número de respostas: 9

DEBATE

Jornal sobre a conferência, para cegos a descrição encontra-se no arquivo abaixo "paracegoler.txt"

Ante-sala (videos)

RESUMO: Crislaine e Maurício são mestres em linguagem e tecnologia e seus trabalhos versam sobre a Educação no campo, tema que trazem a debate com foco no desmonte das Escolas do Campo e seus efeitos.

 

 

Jornal em PDF e #paracegoler

43 palavras

Em resposta à Comissão Organizadora D

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Maurício Teixeira Mendes -
Boas horas a todas e todos. É um enorme prazer estar aqui neste espaço. Estamos por aqui para conversar sobre essa DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO que se fazem de forma brutal que promove a aculturação dos nossos estudantes.

39 palavras

Em resposta à Comissão Organizadora D

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Crislaine Junqueira Aguiar Silva -
Olá a todas e todos os que vierem debater este tema conosco. Agradeço pelo prestigio e contribuições. Coloco-me à disposição neste espaço.
Como falamos, ao que parece há um projeto de desmonte das formas de vida e organização social, política e cultural dos cuidadores da Terra. Na contramão da própria lógica capitalista, essa desmobilização que se faz, dentre tantas formas, também pela educação formal e escolarizada. Ou seja, a quem interessa o esvaziamento do campo e o apagamento dos sujeitos e histórias rurais?

83 palavras

Em resposta à Comissão Organizadora D

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Marlon Nunes -
Parabéns aos professores, Crislaine e Maurício pela discussão pertinente sobre as condições e preconceitos existentes com os alunos campesinos. Eu também resido e trabalho numa escola estadual do interior de Minas, no município de Dom Joaquim. As dificuldades são muitas, as aulas iniciam mais cedo justamente pelo necessário deslocamento do alunos. O transporte é precário e em tempos chuvosos muitos dos alunos não conseguem ir à escola porque é impossível buscá-los. O descaso com a educação é ainda maior nos municípios mais distantes dos grandes centros. As escolas também oferecem péssimas condições para a realização do processo de ensino-aprendizagem. Há ainda a cultura do coronelismo que expõe a fragilidade das pessoas da zona rural que são ainda mais oprimidas. Há a política de troca de favores, com os cargos púbicos ocupados por parentes e amigos dos políticos. O Estado não chega devidamente aos interiores do Brasil e é tudo ainda muito verticalizado. O tema levantado por vocês, infelizmente, ainda é grande relevância, pois já deveríamos ter outras maneiras de lidar com a educação. Força aí! Abraços, Marlon!

177 palavras

Em resposta à Marlon Nunes

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Crislaine Junqueira Aguiar Silva -
Obrigada, Marlon, pela contribuição.
Sua colocação sobre até onde vai o Estado é pertinente, uma vez que, presenciamos na vivência das salas de aula os dentes de uma engrenagem que funciona a favor do capital, da hegemonia, da globalização (exploratória), da desinformação e da superficialidade.

45 palavras

Em resposta à Comissão Organizadora D

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Nício Murilo Silva -
Parabéns aos professores pelo cuidado para com seus alunos e excelente texto produzido. Minha namorada passa por esse processo de territorialização, e gostaria muito de poder dar um maior apoio psicológico a ela para que não se sinta tão deslocada. Quais as recomendações de vocês para que eu possa fazer isso? Obrigado!

52 palavras

Em resposta à Nício Murilo Silva

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Crislaine Junqueira Aguiar Silva -
Olá, Nício.
Como professora convivendo com um público juvenil que passa por esses processos, sempre busco valorizar os saberes e fazeres dos familiares, bem como, dos antepassados do meu público. Isso se dá por meio da escuta, do espaço para visibilidade, da compreensão de quê o padrão e o belo são convenções sociais regidas por forças políticas e econômicas. Procuro instrumentalizar meu aluno com aparatos teóricos que o faça compreender a realidade, a história e essas forças.
No entanto, se percebo que o filtro afetivo está descompensado e há indícios de problemas psicoemocionais, aciono um profissional da área da saúde mental.

101 palavras

Em resposta à Comissão Organizadora D

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Ana Matte -
Oi, Maurício e Crislaine,
é um enorme prazer - e uma honra - tê-los aqui no nosso querido UEADSL, um evento do qual vocês dois já participaram, como professor e comissões, sinto saudades.
O tema do trabalho de vocês me toma por completo porque, antes de sair do Rio Grande do Sul para estudar em São Paulo, eu convivia muito com os "colonos" (como a gente chama por lá os campesinos), minha cidade é pequena e ir para o interior nos fins de semana e nas férias era muito frequente. E nessas idas, várias vezes ficamos, eu e minhas irmãs, hospedadas na casa de amigos nossos que moravam e trabalhavam lá. Assim aprendi que todos, desde criança, aprendem a cultivar a terra e cuidar dos animais, assim como aprender a fazer fogo no fogão à lenha, não tem como "brincar com os amigos da rua" todos os dias porque a rua é uma estrada e as casas muito distantes entre si. E sendo tão distantes, a escola rural era um espaço importantíssimo para a vida das crianças já que, sem ela, eles iriam interagir exclusivamente com os próprios irmãos e só uma vez por semana, por conta de eventos religiosos, teriam a chance de curtir uns aos outros.
Contar isso não é só saudosismo, é também uma forma de tentar trazer o que para mim significa essa cultura campesina que o trabalho de vocês aponta ser desprezada pelo desmonte das escolas do campo.
Não se trata de querer separar as culturas, mas é muito fácil perceber que as culturas com maior poder econômico e, portanto, maior alcance, acabam aos poucos apagando as culturas menos privilegiadas e de grupos menores.
Uma vez, Maurício, você me disse que cada estudante importa. Pois é, não importa o número de pessoas que cultivam determinados valores e práticas, sua cultura é importante.
É natural que, ao longo do tempo, aconteçam misturas. Do meu ponto de vistas, misturas são salutares desde que não venham apagar suas origens. A evolução reside exatamente nessa oscilação e nesse conflito entre manter e mudar e a escolha saudável é não precisar escolher. Em última análise, o conflito entre diferentes culturas não é um problema a ser resolvido. Com o tempo, cada grupo vai mudando e evoluindo sua forma de ver o mundo e isso é ótimo. Tenho certeza que alguém, ao ler o que vou dizer, vai pensar que sou hipócrita ou contra o folclore e a cultura popular, mas tentem ler de outra forma. Há alguns anos eu assistia um programa sobre o modo como determinados grupos em diferentes regiões do Brasil produziam artesanato, e como conseguiam sobreviver disso. Eu disse alguns? Não, isso foi há muitos anos, porque não existia nem internet nem celular e, portanto, não haviam iniciativas para vender pela rede os produtos locais, só eram vendidos para quem fosse lá, na grande maioria das vezes. Bom, minha "heresia" foi concluir, depois de assistir vários desses programas, que folclore era, infelizmente, um lugar onde o preconceito era mantido com muita força, pois todos os grupos eram compostos por mulheres e somente apareciam homens quando o assunto era a venda dos produtos.
Falo isso para indicar que nada é perfeito, não existe uma sociedade idílica na qual todos vamos ser felizes. Então, que bom que evoluem. Então, que bom que pode haver mistura. Mas também, só é bom quando não se tratar de uma mistura, mas da invasão de uma cultura por outra.
Vocês dois convivem com os dois mundos do qual estão falando, o campo e a cidade. Como vêem o que anda acontecendo? Acham que, além do fim da escola do campo, as tecnologias não abrem portas para uma miscigenação nociva, invasiva? Como podemos fazer algo para que esse tipo de relação mantenha o respeito entre os lados e o próprio respeito à diversidade?
Obrigada e parabéns!
beijos,
Ana

644 palavras

Em resposta à Ana Matte

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Crislaine Junqueira Aguiar Silva -
Oi Ana!
Saudades também dos momentos de trocas como essas. Obrigada pelo convite!
Na escola onde trabalho (e não apenas leciono, quem dera que fosse só isso. O trabalho do professor perpassa por tantas tarefas e funções que lecionar é até privilégio!). Então, lá muitos estudantes, especialmente para os campesinos, é o único lugar de acesso a internet. Os pontos que o WiFi pega melhor fica como o Muro das Lamentações. É lá também que, como você mencionou, muitos deles podem conviver com o outro. A escola é um espaço de aprendizagem, mas não apenas aquela promovida pelo professor e estruturada no currículo, é onde o estudante se relaciona, convive, socializa, navega nas redes sociais virtuais... pratica esportes, namora, entra em conflito, arruma amigos e inimigos... A escola é um espaço complexo. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. A variação de quão bom ou ruim é a experiência individual na passagem pela escola varia e depende de como a escola é dirigida e como são promovidas as vivências para além das aulas.
As tecnologias amplificam essas complexidades ao tempo que abrem espaço para costumes e culturas hegemônicas. Percebemos o processo de miscigenação tóxica (assim nomino aquelas misturas que não contribuem positivamente para a construção da pessoa humana) está acontecendo sem que possamos fazer frente, uma vez que até mesmo nós (os professores) também somos afetados.
Na minha experiência, o livre acesso à internet é mais negativo do que positivo no processo de ensino - aprendizagem.

247 palavras

Em resposta à Crislaine Junqueira Aguiar Silva

Re: ESTUDANTES CAMPESINOS EM ESCOLAS URBANAS: A DESTERRITORIALIZAÇÃO DOS SUJEITOS DO CAMPO – conferencistas: Crislaine Junqueira Aguiar Silva e Maurício Teixeira Mendes

por Ana Matte -
Crislaine,
Eu entendo sua percepção do livre acesso à internet como negativo, mas acho que precisamos olhar para o futuro, compreendendo o presente para fazer melhor. O que quero dizer é que, na minha humilde opinião, o acesso livre à internet só está sendo prejudicial porque as pessoas não tem uma formação que permita-lhes obter o melhor da internet, não aprenderam a ser críticos e isso vai muito além do conhecimento formal. Atualmente, a internet pouco mais é do que o espalhamento dos valores de quem quer vender e de quem quer nos manter controlados, isso é fato. No entanto, aquelas pessoas que aprendem que livre arbítrio só existe se você for crítico. É como na matemática, se você não souber que a soma de dois números pares sempre vai dar um número par, jamais vai perceber que, por um erro de digitação, a soma de dois números pares deu errado porque deu ímpar. Você precisa do conhecimento para poder, mesmo quando está certo de estar acessando um site de confiança, perceber equívocos, que sempre podem aparecer, ninguém é perfeito. Eu até, na maior cara de pau, já fui perguntar ao autor se, num artigo publicado numa revista científica, determinada afirmação não estaria equivocada... e estava! Ele disse que só percebeu depois do artigo publicado e, como era em papel... paciência. Mas eu jamais faria isso se não soubesse do que estava falando. Assim, o maior risco que corri foi de eu ter entendido errado e ele me corrigir - o que seria mais uma oportunidade de aprendizado.
Então eu acho que controlar o uso da internet não é a resposta. Precisamos fazer as pessoas - não só os alunos, pois é uma ideia muito difundida na nossa sociedade onde o mercado acha que lucro é mais importante que matar a fome de milhares de pessoas - bem, precisamos fazer com que entendam que
a) não basta ler a manchete para entender um assunto, e o mesmo vale para memes e piadas;
b) ler é um diferencial, não devemos ter preguiça de ler para compreender as coisas, principalmente dos assuntos que realmente nos interessam, pois em geral os vídeos na internet, para não falar de notícias de que só lemos o título, são voltados a uma solução rápida, a soluções práticas e pouco reflexivas;
c) aprender requer dedicação, requer tempo, igual o tempo que gastamos na frente de uma TV aprendendo a jogar um jogo difícil, revendo e refazendo cada fase até nos tornar proficientes - e fazemos com prazer, prazer esse que pode aparecer em quase todas as áreas que a escola nos solicita trabalhar; e
d) entender que, para aprender matemática, história ou como descascar ovos de codorna cozidos para que fiquem perfeitos, requer dedicação, tempo (maior ou menor dependendo da dificuldade da tarefa para você), prática (idem), buscar várias fontes de forma crítica e, lugar onde o professor é essencial, aprender a pensar como pensa a área do conhecimento na qual você está buscando tornar-se capaz.
Nos exemplos, da letra (d), preciso saber como funciona o pensamento matemático e o pensamento histórico para poder encontrar suas respectivas jóias disponíveis na internet, assim como precisamos de um conhecimento de como pensa a gastronomia para compreender que o descascamento do ovo de codorna depende do tempo de cozimento, e não adianta querer burlar isso.
Consegui explicar meu ponto de vista?
beijos!
Ana

563 palavras